Como funciona a preparação do contrapiso para a instalação do piso laminado?
A preparação do contrapiso é a etapa mais crítica de todo o processo de instalação do piso laminado.
Como o laminado é um revestimento estruturado em réguas rígidas de madeira compactada (HDF ou MDF) que flutuam sobre a base, qualquer irregularidade, umidade ou imperfeição do piso inferior será transferida para a superfície ou comprometerá a integridade mecânica dos encaixes por clique.
Verificação da cura e da umidade crítica
O primeiro fator a ser analisado em um contrapiso novo ou recém-reformado é o tempo de cura da argamassa ou do concreto. A secagem completa da base leva tempo, e instalar o piso laminado sobre um contrapiso que ainda libera vapor de água é um erro fatal. A umidade ascendente penetra diretamente no miolo de madeira do laminado, causando expansão volumétrica e apodrecimento das fibras.
Tecnicamente, o contrapiso deve apresentar um índice de umidade inferior a dois e meio por cento antes de receber o revestimento.
Para testar isso de forma prática na obra sem equipamentos digitais, costuma-se fixar um pedaço de plástico transparente de um metro quadrado no chão com fita adesiva de vedação em todos os lados. Se após vinte e quatro horas o plástico apresentar gotículas de água ou o contrapiso sob ele mostrar uma coloração visivelmente mais escura, o material ainda está úmido e precisa de mais tempo de cura natural.
Nivelamento e correção de ondulações
A planeza da superfície é o segundo pilar de sustentação do sistema flutuante. O piso laminado tolera pequenas variações de relevo devido à elasticidade da manta amortecedora que vai por baixo, mas essa tolerância possui limites milimétricos rígidos. O padrão técnico aceitável é de, no máximo, três milímetros de variação a cada dois metros lineares.
Para identificar as depressões e calosidades, o instalador utiliza uma régua de alumínio técnica de dois metros e um nível de bolha. Ao passar a régua pelo chão, qualquer vão visível abaixo dela aponta uma depressão. Ondulações positivas (calos) devem ser removidas mecanicamente através de lixamento ou ponteira. Já as depressões devem ser preenchidas e corrigidas.
Para imperfeições finas e espalhadas, o uso de argamassas de regularização de secagem rápida ou produtos autonivelantes à base de cimento e polímeros é o método mais eficiente, pois cria uma película perfeitamente lisa e horizontal em poucas horas.
A importância da limpeza profunda e remoção de resíduos
Uma vez que o contrapiso está perfeitamente seco e plano, inicia-se a fase de higienização mecânica da base. Essa etapa vai muito além de uma varrição simples.
É necessário raspar e remover quaisquer resquícios de gesso de pintura, respingos de argamassa de obra, restos de carpetes colados anteriormente, ceras antigas, óleos ou graxas.
Partículas soltas e grãos de areia que permanecem sob a manta funcionam como pontos de fricção constante. Com o caminhar dos moradores sobre o piso laminado, esses pequenos detritos geram atrito contra a manta e a base do piso, provocando pequenos estalos e ruídos secos (o incômodo rangido de sapatos). O uso de aspiradores de pó industriais é altamente recomendado nesta fase para garantir a eliminação completa do pó microscópico incrustado nos poros do concreto.
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